Refluxo na Gravidez: O Que é e Como Tratar

Refluxo na Gravidez: O Que é e Como Tratar
Ellen Cristie
Ellen Cristie6, Fevereiro - 2021

As gestantes, muitas vezes, sentem um desconforto no estômago e atribuem a ele o nome de azia ou indigestão. Esse problema tem o nome de refluxo gastroesofágico, condição considerada normal durante a gravidez, mas que realmente incomoda.

Muitas mulheres desenvolvem o refluxo pela primeira vez na gestação. E parte delas somente na gravidez, desaparecendo após o parto.

Não há tratamento específico para o refluxo, mas o médico pode prescrever o uso de determinados medicamentos, além de uma alimentação restritiva, que ajuda a evitar e aliviar os sintomas.

Causas do refluxo na gravidez

O refluxo gastroesofágico ocorre principalmente devido ao crescimento do bebê, que empurra o estômago. Esse fenômeno faz com que o suco gástrico contido no estômago faça o caminho inverso, ou seja, vá para a garganta.

Além disso, o aumento da progesterona, principal hormônio em mulheres grávidas, altera o funcionamento do sistema digestivo, retardando o fluxo intestinal. A parte muscular que separa o esôfago do estômago fica menos firme.

Esse fato, aliado ao aumento da pressão, favorece a passagem do conteúdo do estômago até o esôfago, produzindo a sensação de azia. O refluxo, algumas vezes, pode provocar a aparição de alimentos na boca, sem que necessariamente você faça algum esforço de vômito.

Principais sintomas

Geralmente, os sintomas costumam ficar mais intensos a partir da 27ª semana de gestação. Entre os principais estão:

  • Azia e queimação
  • Sensação de retorno da comida até a garganta
  • Arrotos
  • Inchaço na barriga
  • Náuseas e vômitos

Na maioria dos casos, o diagnóstico não precisa ser confirmado por nenhum exame complementar, mesmo a endoscopia digestiva alta sendo segura tanto para mãe como para o feto.

Qual é o tratamento

O tratamento é orientado por um ginecologista. Alterações na dieta e no estilo de vida, além do uso de medicamentos, são formas de tratar o refluxo na gravidez. Veja a seguir:

Cardápio alterado

Um dos objetivos de alterar a alimentação é aliviar os sintomas e evitar novas crises. Por isso, o ideal é reduzir as porções de alimentos em cada refeição e, consequentemente, aumentar o número de refeições por dia, mantendo, assim, a ingestão adequada de calorias.

Café, chocolate, menta, pimenta, queijo curado e outros alimentos ácidos devem ser evitados, a exemplo de laranja e abacaxi, tomate, vinagre, álcool, entre outros, já que eles são responsáveis por relaxar o esôfago, facilitando, assim, o retorno do alimento e irritando o estômago.

Evite também alimentos fritos, processados ou excessivamente condimentados, porque eles tornam a digestão lenta. Mastigue devagar.

Atenção ao se deitar

Outra dica é não se deitar logo após ter se alimentado. O mais recomendado é esperar pelo menos três horas. No caso do jantar, é importante não comer muito tarde para dar tempo de se deitar razoavelmente cedo. A posição do corpo interfere na digestão.

Antes de dormir, coloque algo debaixo do colchão para elevá-lo, na região da cabeça, para evitar uma posição totalmente estendida. Por fim, não use roupas apertadas que aumentem ainda mais a pressão sobre o abdômen.

Evite bebidas com gás

Bebidas com gás, café e chicletes aumentam o ar presente no estômago, o que contribui para que os sucos gástricos voltem a subir. Água é o melhor líquido que uma gestante pode consumir.

Medicação

Remédios à base de magnésio ou cálcio combatem os sintomas do refluxo e podem ser usados durante a gravidez, mas sempre sob orientação médica. Medicamentos à base de bicarbonato de sódio não devem ser utilizados, porque aumentam a retenção de líquidos.

Nos casos em que o refluxo é muito forte, assim como o excesso de ácido que provoca a azia, os médicos indicam a ranitidina.

Tratamento natural

Além da medicação, há produtos naturais ou alternativas que contribuem para a redução dos sintomas. É o caso da acupuntura e da aromaterapia, que usa óleos essenciais para massagear o peito e as costas.

Produtos como chás de camomila, gengibre, hortelã e dente-de-leão são também muito utilizados. Para quem tem diabetes, o dente-de-leão é contra-indicado por interferir na medicação.