Principais medos das crianças: como lidar

À medida que o cérebro vai se desenvolvendo, os medos vão mudando, tornando-se mais racionais

Criança tampando o rosto com as mãos
Ellen Cristie
Ellen Cristie10, Junho - 20216.2 minutos de leitura

Mais cedo ou mais tarde, é normal que a criança manifeste medos ou temores de determinados temas ou objetos. De acordo com os especialistas, os medos são uma reação normal do cérebro ao que o ser humano considera ser uma ameaça. 

Antes mesmo de completar 1 ano de vida, o bebê já começa a sentir medo de barulhos altos, de estranhos, novos lugares ou momentos inesperados.

Segundo os especialistas, isso é inerente ao ser humano. No caso dos bebês, os medos estão mais ligados a questões primitivas e primárias, como frio e fome. À medida que o cérebro vai se desenvolvendo, os medos vão mudando, tornando-se mais racionais.

Como é a evolução desses medos?

Aos 2 anos, barulhos de trovão, caminhão e carros, por exemplo, assustam a criança, assim como o medo de ficar sem os pais. Aos poucos, com 3 e 4 anos, ela passa a desenvolver a imaginação e, por isso, aparecem medos de monstro, do escuro, de pessoas fantasiadas, de se perder ou dormir sozinha.

Com 5 anos, situações reais passam a ser o foco do medo das crianças dessa idade. É a fase do temor de se machucar, de perder alguém da família, de entrar ladrão em casa, de ser esquecido em algum lugar ou de personagens de terror. 

Com um entendimento melhor sobre a vida, as crianças de 6 e 7 anos sentem medo de ficarem sozinhas, de chuvas fortes, de que algo aconteça com os pais, mas também relatam temor de fantasmas.

Já aos 8 e 9 anos, os medos giram em torno de questões comportamentais: não serem aceitas, de críticas, medo de errar, brigarem na escola, fracasso escolar ou perderem os pais. 

Como saber se o medo da criança é normal?

Como dito acima, o medo é uma característica humana e tem a função de proteger as pessoas de possíveis riscos e ameaças à sobrevivência. Portanto, é natural sentir medo em qualquer fase da vida.

No entanto, os pais devem ficar atentos à intensidade dos medos sentidos por seus filhos. Geralmente, há dois tipos de medos: o medo que protege e o medo patológico, que impede as crianças de fazer atividades cotidianas e acaba se transformando em ansiedade ou em fobia.

Quando procurar ajuda?

É preciso que os pais percebam se a criança deixa de fazer algo que gosta ou que está acostumada por causa do medo. Observar as mudanças bruscas de comportamento também ajuda os pais a diferenciar entre um medo natural e um medo exagerado.

Caso isso ocorra e os pais não consigam reduzir sintomas como temores ou ansiedade, o ideal é procurar um (a) psicólogo (a) para ajudar a criança a enfrentar essa fase.

Veja como ajudar a criança com medo exagerado

Além da ajuda de um (a) especialista, muitas vezes a criança precisa de apoio familiar. Confira abaixo algumas dicas para que a criança supere esse momento:

- Estejam abertos a manter um diálogo com a criança de forma tranquila. Ouça seus medos e inseguranças, sem julgamentos e mostrando empatia e carinho. 

- Mostrem a seu filho que sentir medo é algo natural. Acolham-no e digam a ele que esse medo vai passar e que vocês, pais, também já sentiram medo em algum momento da vida. 

- Tentem evitar a exposição da criança a estímulos muito intensos, como personagens fantasiados, Papai Noel, palhaços. Caso seja necessário, faça isso de forma suave e gradual. O importante é não forçar. 

- Caso a criança pergunte sobre a morte, é fundamental não inventar histórias mirabolantes e, sim, contar a verdade de uma forma mais leve. Sempre permita que ela exponha seus medos e coloque-se ao lado dela, dizendo que nada de mal vai lhe acontecer.

- Nunca “debochem” da criança ou considerem bobagem quando ela revelar seus medos.

- Tentem sempre trabalhar a autoestima infantil para que a criança se sinta segura e possa conviver melhor com seus medos e com outras crianças da mesma idade.

Entre todas as armas de que os pais dispõem, o mais importante é ensinar a criança a lidar com seus medos sem traumas, sempre se colocando à disposição para ouvi-la. Com o tempo, esses medos vão embora e a criança passa a enxergar os temores de forma leve e divertida.