Obesidade x fertilidade

Por efeitos hormonais, o tecido adiposo age sobre a fertilidade, provocando alterações no padrão hormonal

Gestante fazendo exercícios
Ellen Cristie
Ellen Cristie20, Julho - 20214.8 minutos de leitura

Não é novidade para ninguém que uma mulher tanto acima do peso, quanto abaixo do peso pode ter dificuldades para engravidar. 

Neste texto, abordaremos a obesidade como fator impeditivo da gravidez, já que mulheres obesas têm três vezes mais chances de sofrer de infertilidade anovulatória (a mulher não ovula) se comparadas a mulheres com índice de massa corporal normal (IMC). 

O IMC recomendado varia entre 18 e 24,9. Se estiver acima de 25, já caracteriza sobrepeso, e acima de 30, obesidade.

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo. É uma patologia multifatorial, abrangendo fatores genéticos, metabólicos, sociais, ambientais, econômicos, comportamentais, culturais e demográficos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a obesidade como a concentração excessiva de gordura que pode prejudicar a saúde do indivíduo, tornando-se um problema de saúde pública.

É verdade que ainda não há uma conclusão definitiva sobre quais são os mecanismos que fazem com que a obesidade interfira na piora da fertilidade e, consequentemente, na concepção - seja na qualidade dos oócitos (gâmetas femininos, vulgarmente conhecidos por ovo ou óvulo), embriões ou do endométrio.  

Mas como relacionar obesidade e fertilidade?

Por efeitos hormonais, o tecido adiposo age sobre a fertilidade, provocando alterações no padrão hormonal, no caso no FSH (hormônio folículo estimulante) e no LH (hormônio luteinizante). Em mulheres, enzimas como a leptina e uma maior produção de substâncias andrógenas, como a testosterona, são responsáveis por alterações na liberação de óvulos.

Também é comum, em pessoas obesas, a incidência de diabetes 2 e a resistência insulínica, que, de alguma forma, agem sobre os hormônios, por meio de substâncias inflamatórias, reduzindo, assim, a fertilidade. 

Com a ação do FSH e do LH interrompida, a liberação do óvulo não ocorre, gerando uma anovulação crônica em meio a ciclos menstruais irregulares. Sem óvulos, a fecundação não se confirma e a mulher, consequentemente, não consegue engravidar. 

Um exemplo disso é a paciente com síndrome do ovário policístico, doença relacionada à obesidade, diabetes e infertilidade. 

Riscos para gestantes obesas 

São vários os riscos para mulheres que querem engravidar e estão acima do peso. Se o índice de massa corporal (IMC) está acima de 30, o quadro é considerado de obesidade. Além de aumentar o risco de abortos, a obesidade reduz a chance de sucesso em técnicas de reprodução assistida, a exemplo da fertilização in vitro (FIV).

No caso da mulher gestante obesa, aumentam as chances de hipertensão, pré-eclâmpsia, infecções, trombose, diabetes, entre outros, se comparada a mulheres gestantes com peso adequado.

Outro risco refere-se à hora do parto. É grande a chance de o parto ser induzido e até mesmo ser uma cesárea. O bebê também pode nascer prematuramente e grande para sua idade gestacional.

Há risco também de ele apresentar alguma malformação congênita ou precisar de cuidados médicos depois de nascer. Além da macrossomia fetal (peso superior a 4 quilos), eles podem apresentar dislipidemia (níveis elevados de gordura no sangue), trauma fetal, hipoglicemia neonatal, defeitos do tubo neural, sofrimento fetal e risco aumentado de aspiração de mecônio. 

Como lidar com o problema?

O ideal é que a futura mãe já tenha cuidados com a alimentação anteriores à gestação, ou seja, manter uma condição nutricional pré-gestacional adequada, pois a gestação pode atuar como desencadeante da obesidade, ou como agravante, quando aquela for pré-existente. 

A fertilidade tem extrema ligação com a manutenção de hábitos saudáveis. Aliados ao excesso de peso, estão o consumo de álcool, tabagismo, estresse e ansiedade, que também interferem na fertilidade, causando diversos outros danos à saúde. 

Sob a supervisão de um médico - clínico-geral ou endocrinologista - e um especialista em nutrição, é possível manter uma dieta equilibrada, praticar atividades físicas, perder peso e reaver o equilíbrio hormonal e, consequentemente, os níveis de fertilidade.