Microcefalia: o que é e como é o tratamento

Doença afeta cabeça e cérebro do bebê durante a gravidez, por infecções ou por uso de substâncias químicas por parte da gestante

Bebê no colo da mãe
Ellen Cristie
Ellen Cristie8, Junho - 20217 minutos de leitura

Malformação cerebral com distúrbio neurológico. Podemos definir a microcefalia, que se caracteriza por ser uma patologia rara, como uma doença que afeta a cabeça e o cérebro do bebê durante a gestação, seja por uso de substâncias químicas por parte da gestante ou por infecções (bacterianas ou viróticas), a exemplo do zika vírus. 

Geralmente, o bebê pode apresentar diferentes níveis de deficiência intelectual ou até mesmo nenhum tipo de atraso em seu desenvolvimento. O tamanho da cabeça do bebê é menor, ele pode sofrer perdas na fala e nas funções motoras, na estatura, deficiências visuais, auditivas e outras anormalidades neurológicas.

Quais são os principais sintomas da microcefalia?

Como a cabeça e o cérebro são menores, há alguns problemas decorrentes dessa deficiência. São eles:

  • Atraso mental
  • Déficit intelectual
  • Paralisia
  • Problemas visuais
  • Perda de audição
  • Convulsões
  • Autismo
  • Epilepsia
  • Rigidez dos músculos do corpo (espasticidade)

A criança com microcefalia pode precisar de cuidados por toda a vida, porém isso é geralmente confirmado depois do primeiro ano de vida e vai depender de quanto o cérebro se desenvolve e quais estão mais comprometidas.

E as possíveis causas?

Entre as principais causas da microcefalia, senão as principais, estão as infecções pelos vírus zika ou chikungunya, com destaque para os três primeiros meses de gravidez. Outras causas potenciais são: 

  • Infecções perinatais maternas, como rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose
  • Consumo de cigarro, álcool ou drogas (cocaína e heroína) durante a gravidez
  • Síndrome de Rett (distúrbio do neurodesenvolvimento, que afeta principalmente as meninas) 
  • Distúrbio cromossômico, incluindo síndrome de Down, de Edwards e de West
  • Meningite bacteriana 
  • Desnutrição
  • HIV materno
  • Envenenamento por mercúrio ou cobre
  • Doenças metabólicas na mãe, como fenilcetonúria
  • Exposição química ou à radiação durante a gestação
  • Uso de medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer, nos primeiros 3 meses de gravidez
  • Craniossinostose (defeito de nascença caracterizado pelo fechamento prematuro de juntas entre os ossos do crânio antes do crescimento total do cérebro)

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito ainda na gestação por meio dos exames de pré-natal, como ultrassom. Após o nascimento do bebê, pode ser confirmado por meio da medição do tamanho da cabeça.

Exames como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética do cérebro podem definir a gravidade da microcefalia e as consequências para o desenvolvimento do bebê.

Quais são os tipos de microcefalia?

Há pesquisadores que dividem a microcefalia em tipos. São eles:

Microcefalia primária:

Caracterizada pela falha na produção de neurônios (células cerebrais) durante o desenvolvimento do bebê. Os ossos do crânio se fecham durante a gestação.

Microcefalia pós-natal:

Caracterizada pelo não desenvolvimento do crânio e do cérebro, que não acompanham o crescimento da criança.

Microcefalia familiar:

Caracterizada pelo crânio menor do bebê, mas sem alterações neurológicas. No caso, os pais também têm a cabeça menor.

Microcefalia secundária:

Caracterizada pelo fechamento dos ossos do crânio no fim da gravidez ou após o nascimento do bebê.

Em que se baseia o tratamento?

O tratamento de bebês com microcefalia deve ser multidisciplinar, ou seja, contar com profissionais de várias áreas, como pediatra, neurologista, enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, entre outros. Esses profissionais ajudarão a criança a se desenvolver, visando uma melhor qualidade de vida.

O tratamento varia de acordo com as demandas de cada bebê. Entre as mais comuns estão: