Desenvolvimento infantil: a criança de 2 anos

De uma hora para outra, esses pequenos seres se impõem, seja por meio da birra, seja por meio de expressões muitas vezes divertidas

Quatro crianças de 2 anos juntas
Ellen Cristie
Ellen Cristie9, Junho - 20216.2 minutos de leitura

Passada a turbulência positiva dos primeiros meses de vida, o primeiro ano e os meses subsequentes, eis que o bebê percebe que é um ser humano separado da mãe, que consegue verbalizar o que deseja e expressar sentimentos como o amor e a ira.

É interessante observar como, de uma hora para outra, esses pequenos seres se impõem, seja por meio da birra, seja por meio de expressões muitas vezes divertidas.

Experiências únicas e nem sempre adultos e pais estão preparados para tal. O que fazer no meio de um shopping center lotado quando seu filho se deita no chão e literalmente não ‘arreda pé’?

O que quer que você faça não surte qualquer efeito, a não ser a insistência da criança em ficar deitada esperando o desenrolar dos fatos ou seu próximo passo. Como diz a música interpretada pela cantora Simone, ‘desesperar, jamais’.

Mas o que fazer diante de uma birra?

Segundo os pediatras, são os pais que devem ditar o limite, mas com paciência, explicando à criança o que está se passando e, de preferência, “descendo” à altura da criança para que ela não se sinta inferior.

O mais importante durante o momento da birra é não demonstrar nenhum sentimento com relação ao seu filho. Primeiramente, respire. Caso a birra seja em algum lugar público, tente levá-lo para algum lugar mais tranquilo para que você tenha um maior controle da situação.

Não deixe de manter a firmeza e faça exatamente o que diz. Quando você tem um discurso coerente, passa segurança para a criança.

O que define os 2 anos de uma criança

A psicóloga clínica Cynthia Dias explica que os 2 anos de uma criança são conhecidos como “os terríveis 2 anos” ou “terrible two”, em inglês. Essa fase pode se iniciar em torno de 1 ano e meio e se estender até os 3 anos de vida.

Os 2 anos são marcados por uma significativa mudança de comportamento da criança, que começa a se sentir livre, dona de suas vontades, ávida por experimentar o mundo e sua autonomia diante dele.

“É o momento em que apenas o seu desejo lhe importa. É a época em que ela quer começar a conquistar o seu espaço, buscar o seu prazer, impor suas vontades, decidir por ela mesma. E ela não se importará em gritar, fazer barulho, bater, espernear ou atormentar quem quer que seja para atingir os seus objetivos”, explica.

Principais características dessa fase:

  • A criança é quase sempre “do contra”.
  • Se você precisa ir depressa, ela vai devagar.
  • Se você pede que cante para a titia a musiquinha que ela aprendeu, ela não canta.
  • Se você quer que ela vista o conjuntinho azul que a vovó lhe deu, ela irá escolher o vestido vermelho.
  • Se você quer que ela empreste o brinquedo ao coleguinha, ela irá agarrá-lo com unhas e dentes.

Cynthia Dias acrescenta que é como se a criança de 2 anos quisesse medir forças ou mostrar ao mundo que agora é ele quem decide sobre como as coisas serão feitas. A boa notícia é que, como qualquer outra fase da vida, passa. 

Os terríveis 2 anos são apenas parte do desenvolvimento natural da criança, que deixa de ser totalmente controlada ou direcionada pelos pais e inicia, de forma barulhenta, seu processo de autonomia, com a tomada de decisões e escolhas próprias. “Os pais precisam ter paciência e aprender a lidar com sua ‘nova criança’.

Os limites e as regras são, além de bem-vindas, necessárias, pois a criança ainda não sabe com clareza aquilo que pode ou não ser feito, já que desconhece todos os padrões de boas maneiras e os riscos que corre ao experimentar o mundo sem noção de perigo.

Veja abaixo alguns limites e regras:

  • Trabalhar a questão da frustração 
  • Ensinar a criança a aprender a esperar
  • Respeitar o outro
  • Reconhecer os próprios desejos
  • Manifestar vontades por meio da fala

Por outro lado, é a partir dos atos dos pais e de muita repetição que a criança entenderá que o mundo é feito de regras e frustrações e que a vida não é necessariamente como se deseja.

E cá para nós…o amor por um filho transcende e não será uma birra ou 10 birras que farão com que isso mude.