Asma na gravidez: como é o tratamento?

Doença é caracterizada por uma inflamação dos brônquios, fazendo com que eles se contraiam, dificultando a passagem do ar

Gestante usando bombinha para falta de ar
Ellen Cristie
Ellen Cristie7, Junho - 20216.5 minutos de leitura

Tosse, falta de ar e chiado no peito. Os sintomas e o tratamento da asma não diferem muito entre um adulto comum e uma grávida. Por outro lado, a diferença está justamente no oxigênio que chega para o bebê, o que pode vir a prejudicar o desenvolvimento dele, atrasando seu crescimento. 

A asma é caracterizada por uma inflamação dos brônquios - responsáveis por conduzir o ar pelos pulmões - fazendo com que eles se contraiam, dificultando a  passagem do ar. 

Mas o que acontece com a grávida diagnosticada com asma?

Caso a asma da gestante não esteja controlada, o quadro pode se complicar tanto para a gestante quanto para o bebê. Entre as complicações mais comuns para o bebê estão: falta de oxigenação, prematuridade e aborto. Para a mãe, dificuldade de respirar e pressão alta (pré-eclâmpsia).

Monitorização fetal

Para que o obstetra possa acompanhar o crescimento do feto e a data correta da gravidez, é importante que a gestante se submeta a uma ultrassonografia precoce.

No 2º e 3º trimestres, exames seriados são essenciais no caso de gestantes com asma moderada a grave ou se há alguma suspeita de mau desenvolvimento fetal. Também é recomendável a cardiotocografia, assim como a avaliação do perfil biofísico do bebê a partir da 32ª semana de gestação no caso de pacientes com asma moderada a grave. 

Principais complicações

Os especialistas ainda não têm todas as respostas para explicar a evolução da asma durante a gravidez, mas há algumas particularidades que intensificam o quadro. São eles: 

Hormônios femininos

Alguns dos hormônios femininos são broncodilatadores e outros broncoconstritores. Enquanto uns estreitam o calibre dos brônquios, outros acabam dilatando. Esse desequilíbrio hormonal típico da gravidez pode fazer com que a asma se intensifique.

Receptores

Na gestação, alguns receptores são responsáveis pelo relaxamento dos brônquios, o que contribui para uma pior resposta. Sendo assim, os tubos por onde passam o ar ficam mais apertados, dificultando sua passagem. 

Sistema imunológico

A mulher grávida tem o sistema imunológico mais fraco e, por isso, ela fica mais propensa a infecções, entre as quais, as respiratórias, aumentando, assim, a possibilidade de a asma piorar. 

No caso do bebê, as complicações mais comuns são:

  • Risco maior de parto prematuro
  • Atraso do crescimento da criança no útero da mãe
  • Risco de morte antes ou depois de o bebê nascer
  • Baixo peso ao nascer
  • Redução da quantidade de oxigênio para o bebê

Em crises de asma graves ou de infecção respiratória, há a possibilidade de a gestante ser submetida a uma cesárea de urgência.

Tratamento

Durante uma crise de asma, a gestante pode se queixar de dores abdominais. É que, ao tossir ela exercita os músculos da barriga, causando dores e fadiga. Também é normal que ao fim da gestação - entre 24 e 36 semanas - as crises de falta de ar sejam mais frequentes. 

Geralmente, o tratamento para gestantes com asma envolve repouso e a prescrição descrita pelo médico, que se baseia em:

- Uso de corticosteroides por via oral (budesonida)

- Bombinha a base de salbutamol

- Aerolin spray

- Paracetamol em caso de febre

- Nebulização com fenoterol

Mesmo que a paciente não apresente sintomas ou crise, é fundamental que ela use a budesonida diariamente, substância considerada segura para a mãe e para o bebê.

A ingestão de líquidos, como chás e água, ajudam na fluidificação das secreções, facilitando assim a retirada. 

Medidas preventivas

É importante que a gestante faça o acompanhamento de toda a gravidez tanto com o ginecologista quanto com o pneumologista. Nos casos em que a asma está controlada, uma visita por mês a um especialista em doenças respiratórias é o ideal.

Já nos casos em que a gestante tiver crises, a frequência das consultas deve ser maior. Não fumar ou ficar perto de algum fumante é totalmente contra-indicado. Além disso, a gestante asmática deve se afastar de poeira, ácaros, mofo, mudanças bruscas de temperatura ou de pelo de animais de estimação, como gatos e cachorros dentro de casa. 

Também é recomendável que a gestante tome a vacina da gripe na época em que ela for oferecida para que os sintomas da gripe, caso ocorram, sejam atenuados. 

Não há nenhuma restrição quanto à amamentação nos casos de asma da mãe, especialmente no que se refere ao uso de corticoide.