Armazenamento de células-tronco: como funciona?

O objetivo das técnicas mais recentes é utilizar esse material como fonte de tratamento de várias doenças no futuro

DESENHO DE CÉLULAS-TRONCO
Ellen Cristie
Ellen Cristie27, Maio - 20216 minutos de leitura

O mundo da tecnologia evoluiu a passos largos ao longo das últimas décadas e isso se reflete, também, na medicina, com destaque para a reprodução. Casais que até então não conseguiam realizar o sonho de ter filhos, agora têm à disposição várias técnicas para que isso ocorra. E com bons resultados.

Mais recentemente, o debate gira em torno do armazenamento das células-tronco do cordão umbilical do bebê logo após o parto. O objetivo é utilizar esse material como fonte de tratamento de várias doenças no futuro.

Mas o que são células-tronco e para que servem?

Células-tronco são células que dão origem às células adultas que constituem tecidos e órgãos do nosso corpo. Elas, inclusive, são responsáveis pela manutenção funcional do organismo por meio da substituição de células que vão morrendo ou perdendo sua função, com capacidade de regeneração e reparação, podendo ser utilizadas no tratamento de mais de 80 doenças.

Quais são os tipos de células a serem coletadas?

Existem dois tipos de células que podem ser coletadas no momento do parto. São eles:

Células-tronco do sangue do cordão

São usadas para tratar diversas doenças de origem sanguínea e relacionadas ao sistema imunológico, a exemplo de leucemias e linfomas. O tratamento de outras patologias continua em estudos. São elas: paralisia cerebral e doenças autoimunes.

Células-tronco do tecido do cordão

São usadas para tratar doenças como diabetes, problemas cardíacos e lesões esportivas. Nos casos de transplantes de medula, podem ser usadas em conjunto com as células-tronco do sangue. 

Como resultado, apresentam uma melhora de até seis vezes na velocidade de recuperação da medula que “pegou”. 

Como funciona a coleta e o armazenamento?

Sem riscos para a mãe e o bebê, a coleta de células-tronco ocorre no momento do parto. O método é indolor e não invasivo. Um profissional especializado faz a coleta do sangue diretamente das veias e da artéria do cordão umbilical. 

Esse material é transferido para uma bolsa estéril e acondicionado em um kit de coleta. No laboratório, o material é analisado, passando por testes de controle de qualidade. Posteriormente, é armazenado em tanques de nitrogênio a 196ºC. O nome desse método é a criopreservação. 

Já o tecido do cordão é coletado da seguinte forma: colhe-se o maior segmento do cordão umbilical. Ele é acondicionado em um frasco estéril e encaminhado ao laboratório. 

Há duas opções: isolar as células e congelá-las prontas para uso ou congelar o material inteiro e, posteriormente, separar as células-tronco. 

Há algum risco para a mulher ou o bebê?

Qualquer gestante pode ser uma candidata a armazenar células-tronco para uso futuro, desde que a coleta seja realizada a partir da 32ª semana de gestação.

O procedimento de coleta de material do cordão umbilical não acarreta nenhum risco nem para a mãe nem para o bebê e nem provoca dor. O sangue do cordão umbilical, por exemplo, é retirado logo após o nascimento do bebê e a completa separação do cordão umbilical.

Além de ser indolor, o procedimento pode ser feito tanto em partos normais quanto em cesáreas. Não há incisões e nem uso de anestésicos.

Por quanto tempo as células-tronco podem ficar armazenadas?

No que diz respeito à durabilidade e à eficácia das células-tronco do sangue do cordão umbilical, caso permaneçam armazenadas e acondicionadas sob condições adequadas, sua usabilidade pode ultrapassar décadas. Segundo a literatura científica, pelo menos mais de 20 anos. 

E vale a pena?

O cordão umbilical é o canal que liga o feto, ainda em desenvolvimento, até a placenta da mãe, além de ser rico em células-tronco, ou seja, células que podem se renovar e se diferenciar em outros tipos.

Entre suas aplicações, o cordão é uma boa fonte de células-tronco para o transplante de medula óssea. É considerado um bem valioso para determinadas famílias, especialmente aquelas com pessoas doentes na família, o que de antemão justifica seu congelamento. 

A expectativa é que novas doenças sejam incluídas na lista de 80 patologias tratadas com o uso de células-tronco do sangue do cordão umbilical. 

Esperança

Muitas famílias em todo o mundo, com histórico de doenças, têm esperança de que as terapias com células-tronco possam, cada vez mais, ajudar a dar uma melhor qualidade de vida, especialmente aos familiares com histórico genético.